A Libertadores precisa ser liberta. De muitas coisas posso dizer. Liberta, por exemplo, da cultura agressiva e preconceituosa de certas torcidas que refletem completa ignorância a respeito de si mesmas. Deveria também ser liberta da sua falta de ambição. Talvez, seja esse seu maior erro e deve ser sua maior Libertação.
A Copa Libertadores da América nem sempre foi tão desejada e por um motivo muito simples, ela não era e talvez ainda não seja desejável. Qual a razão de um clube brasileiro, por exemplo, viajar tão longe, correr os perigos que vão desde a torcida local até as estradas que deslizam por montanhas, jogar em elevadíssimas altitudes onde o ar rarefeito e a velocidade da bola são melhores jogadores do que os donos da casa, enfrentar a catimba e as arbitragens caseiras, etc. tudo por tão pouco? Sim, pouco! O Paulistinha atualmente rende mais do que a tão elogiada Libertadores! Aliás, a Federação Paulista paga melhor que a Conmebol, especialmente, se pensarmos nos gastos dessas viagens e no pouco retorno que têm nas arquibancadas (vazias em alguns países), já que a federação sul-americana "morde" boa parte da renda dos ingressos. Fora a TV. Com 20 jogos garantidos, os clubes grandes ganham fortuna consideravelmente maior no estadual que no continental.
Tudo isso fazemos por uma razão um pouco idiota. Queremos jogar com os europeus em um torneio sério. O problema é que os europeus não levam o Mundial de Clubes da FIFA a sério. Para eles é um transtorno ter que viajar ao Japão, ou mesmo ao Oriente Médio, enquanto correm suas ligas nacionais e a própria Champions. Há também certo esnobismo por crerem que além mar e depois das montanhas Urais não há futebol a altura. O europeu não quer ver seu time ganhar nem do Corinthians nem do São Paulo, quer vê-lo enfrentar outro europeu. Mesmo que o outro europeu seja o BATE Borisov, da Bielorrússia. Então, vale à pena investir na Libertadores? Vale.
Mas, investir na Libertadores também deve significar uma cobrança de atitude da Conmebol. A Federação precisa dar o valor que tem a competição. Sem europeizá-la, diga-se. Isso passa por uma melhor escolha dos estádios, definindo melhores restrições, que deem conta do número de pagantes, do acesso, da melhor segurança e saúde aos jogadores estrangeiros. Também passa por melhores premiações aos clubes que passam de fase. Deve, além disso, ampliar suas participações, em franco acordo com a Concacaf, permitindo que outros grandes clubes da América do Norte, não só mexicanos, venham para o hemisfério sul e agreguem em qualidade ao nosso campeonato. E por que não promover um diálogo para a definição de um calendário comum em nosso continente?
Dar mais qualidade, pompa e glamour também, tem que ser a meta da Conmebol. Ela precisa se libertar de si mesma!
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